Seitas do Judaísmo: Publicanos

Os publicanos são mencionados 23 vezes nas Escrituras. Similiar aos escribas, este grupo não era um partido político, mas exerciam uma função extremamente odiada pelo povo judeu e neste artigo explicaremos as razões disto.

Origem

A origem do nome vem do grego τελώνης (telones) que significa “cobrador de impostos”. Esse termo originou de duas palavras gregas: τέλος (telos) “imposto” e ωνεομαι (oneomai) “comprar”. Portanto, podemos atribuir o sentido literal de “comprador de impostos”.

Função

O Império Romano tinha costume de terceirizar algumas funções, dentre elas a de cobrar impostos. Para exercer tal função o cidadão deveria ser rico. A ele era concedido o domínio para coletar impostos de uma região ou cidade. Alguns publicanos chegavam a contratar agentes para que trabalhassem para eles.

Os publicanos pagavam uma soma pré-estipulada pelo império romano, independente do quanto recolheriam depois, por isso o nome significa literalmente “comprador de impostos”. O objetivo dos publicanos era conseguir obter lucro, por isso costumavam extorquir o povo e terem ajuda dos soldados romanos para pressiona-los a pagarem.

Impostos cobrados

Neste tópico entenderemos a razão de tanto ódio do povo para com os publicanos. Vejamos alguns dos impostos que eles cobravam:

  • Censo individual – Este era um imposto cobrado por cada pessoa. Esse imposto era tido como um reconhecimento de que os judeus eram escravos de Roma, por isso era tão ofensivo.
  • Posse de terra – Se aproxima do que conhecemos como IPTU. O pagamento desse imposto também era extremamente ofensivo, afinal, os judeus entendiam que paga-lo era um insulto a Deus pois o verdadeiro proprietário da terra que é Ele e que deu ao povo hebreu aquela terra como herança.
  • Outros impostos eram cobrados por: pérolas, escravos e embarcações.

Fama ruim

Os publicanos eram vistos como as pessoas mais degradadas, mercenárias e traidoras da nação. Era ruim ter que pagar imposto, mas era muito pior colaborar com isso. Raramente se via um publicano indo ao templo. Não eram aceitos pela sociedade em geral. Eles não eram aceitos nem como testemunhas de algum julgamento, tampouco podiam exercer a função de juízes ou conselheiros do povo. Era difícil para um publicano conseguir trocar dinheiro, pois, os judeus em geral temiam que alguma moeda fosse roubada, ou seja, fruto de extorsão. Todos os membros da família do publicano eram considerados como publicanos também.

Menções na Bíblia

  • Jesus reconheceu que os publicanos eram moralmente corrompidos (Mt. 5.46; Mt. 18.17);
  • Muitos publicanos foram simpáticos a Cristo chegando a segui-lo e comerem com Ele e com os discípulos (Mt. 9.10; Mc. 2.15; Lc. 15.1);
  • Os fariseus acusavam a Cristo por Ele receber publicanos e andar com eles (Mt. 9.11,19; Mc. 2.16; Lc. 5.30; 7.34);
  • Jesus elogia os publicanos por eles terem aceitado a mensagem de João Batista (Mt. 21.31-32);
  • Muitos publicanos foram sensíveis ao apelo de João Batista para serem batizados (Lc. 3.12; Lc. 7.30);
  • João Batista disse aos publicanos que iam ser batizados para que não cobrassem nada além do devido (Lc. 3.13);
  • Zaqueu foi um publicano que se converteu poucos dias antes da morte de Jesus (Lc. 19.2)
  • Levi Mateus, o autor do evangelho, era um publicano (Mt. 10.3; Lc. 5.27)
  • Jesus menciona que o publicano foi justificado por orar com sinceridade, enquanto o fariseu estava cheio de orgulho de suas boas obras (Lc. 18.10-14).
  • Mateus chamou muitos de seus amigos publicanos para um banquete em sua casa com a presença de Jesus (Mt. 2.15).

Aplicando a Teologia

Enquanto os fariseus e saduceus se enchiam de orgulho próprio, os publicanos foram batizados e se arrependiam dos seus pecados. Eram homens com muitas posses que não se sentiam superiores a um homem simples e humilde que se vestia com peles de camelo e pregava no deserto.

Jesus reconhecia que a condição moral dos publicanos era baixa, mas era com eles que possuía profundo interesse, afinal, via neles uma condição que necessitava de cura, transformação e salvação. Cristo chamou um publicano para o seguir, considerado como a classe mais vil da sociedade judaica e tido como um apóstata. Cristo possuía profundo interesse nos mais desprezados. Nosso dever não é desprezar quem já é excluído, mas fazer exatamente o contrário. Por esta razão Cristo disse:

Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste

Mateus 5.46-48

Os rejeitados no templo e nas sinagogas, tidos como traidores da pátria e ladrões reconheceram algo que os membros do corpo religioso não reconheciam:

Todo o povo que o ouviu e até os publicanos reconheceram a justiça de Deus, tendo sido batizados com o batismo de João; mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele

Lucas 7.29-30

Será que o nosso coração também se enche de orgulho por fazermos parte de uma denominação? Nos sentimos superiores moralmente aqueles que estão em uma vida de pecado? Como a igreja será o corpo de Cristo se não atuamos com simpatia aos excluídos, moralmente depravados e tidos como os mais vis pecadores para levar a mensagem de salvação e arrependimento? Estamos na mesma condição dos fariseus que: “confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros”? (Lc. 18.9).


Bibliografia
  • Jewish Encyclopedia, 1906.
  • Levy, Neuhebr. Wörtreb, s.v.:
  • Jastrow, Dict. s.v.
  • Herzfeld, Handelsgesch, der Juden des Alterthums, pp. 160-163.
  • Antiguidades, XVIII.1.1
  • Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, CPB, 2016.

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