Em diversas passagens bíblicas vemos a aparição de um lugar chamado sinédrio. O que era esse local? Qual era a sua importância e função? São essas perguntas que esse artigo irá responder.
No Novo Testamento é notável a presença de um local onde Jesus, Paulo, Estêvão e os apóstolos tiveram que se apresentar com a finalidade de serem interrogados por terem recebido graves acusações. Esse lugar é o sinédrio.
Origem
Provavelmente o sinédrio surgiu durante o período de domínio persa, quando foi dada a autonomia para os judeus lidarem com alguns assuntos internos. A primeira menção do Sinédrio é relatado por Flávio Josefo na carta de Antíoco (223-187 a.C) e na carta que o sumo sacerdote Jônatas escreveu aos espartanos, registrada em 1Macabeus 12.6.
Nas fontes de Josefo, 1Macabeus e no Novo Testamento, esse local é chamado de: gerousia (conselho de anciãos); sumboulinion (concílio) e ainda de sunedrion (conselho [sinédrio]).
Nos escritos judaicos era chamado de Beth din haggadol (casa do grande julgamento) e com mais frequência de Sanhedrin (sinédrio).
Como o sinédrio funcionava?
O Grande Sinédrio, ou o Sinédrio de Jerusalém era o principal de Israel. A Mishnah relata que o grande sinédrio era composto por 71 membros, cujo presidente era o sumo sacerdote. O formato de sua composição era derivada do modelo encontrado em Nm. 11.16-17, onde Deus escolheu 70 anciãos para auxiliarem a Moisés em questões importantes (Nm. 11.16-17).
Havia ainda outros sinédrios, com menor influência, em cada uma das 5 regiões do país: Samaria, Galileia, Decápolis, Pereia e Judeia (sendo esta a região do grande sinédrio, mencionado acima). O Tamulde sugere que cada cidade poderia ter um sinédrio, chamado de “sinédrio menor”. Este funcionava com 23 membros.
No início do estabelecimento do sinédrio apenas os sacerdotes e membros de famílias importantes podiam fazer parte do rol de membros. Em 76-67 a.C. a rainha Alexandra concedeu aos escribas (fariseus) o direito a participação. Portanto, os membros do sinédrio ficaram divididos em três classes:
- Anciãos – Eram os membros das principais famílias aristocráticas.
- Sacerdotes – Eram chamados de “principais sacerdotes”. Estes eram os sumos sacerdotes que já haviam se aposentado e os membros das 4 famílias sacerdotais principais (Ananos, Boethos, Phabi e Kamithos).
- Escribas – A maioria destes eram fariseus. Homens dotados de grande intelecto e que tinham a função de servirem como secretários públicos e também como copistas de documentos e das escrituras.
Não se tem muitos detalhes de como os membros eram eleitos para participar do sinédrio, mas é descartada a ideia de que fossem eleitos por voto popular. É provável que eles fossem escolhidos pelos outros membros e por vezes por indicação do governo, tendo como exemplo o caso relatado por Josefo, onde Herodes, o Grande, executou vários membros do Sinédrio e os substituiu por homens que eram leais a ele. Vale ressaltar que a influência externa não é registrada com frequência e se demonstrava limitada.
Para ser membro do sinédrio, algumas qualificações eram exigidas, tais como: escolaridade elevada, modéstia, popularidade. Outra fonte sugere mais detalhes, destacando que para participar do sinédrio era necessário ser alto, ter aparência imponente, idade avançada e conhecer línguas estrangeiras.
Ainda no tempo de Jesus, o Sinédrio tinha autoridade até para condenar alguém a morte (Mt. 26.3,4,59,66), embora só pudessem fazer isso com o aval do governador (Jo. 18.31; 19.10).

O local de funcionamento sinédrio era na “Sala das pedras lavradas”, localizada no pátio dos homens, na estrutura do templo. Após a queda de Jerusalém em 70 d.C. o templo nunca mais foi reconstruído e o sinédrio deixou de existir.
Referências no Novo Testamento
- Jesus foi levado ao Sinédrio para ser julgado pelos sacerdotes (Mt. 26.59; Mc. 14.55; 15.1, 43; Lc. 22.66; 23.50; Jo. 11.47).
- Pedro e João foram levados ao Sinédrio por realizarem o milagre da cura de um coxo e pregarem a ressurreição de Jesus (At. 4.15).
- No sinédrio os apóstolos foram interrogados após terem sido libertados miraculosamente da prisão. Depois foram açoitados e soltos após o discurso de Gamaliel (At. 5:21-42).
- Foi o local onde Estêvão foi interrogado por fazer sinais e prodígios, acusado de blasfêmia (At. 6.12-15).
- Paulo foi levado ao sinédrio por conta de sua pregação, acusado de pregar contra a lei e subverter o povo, onde apresenta sua defesa (At. 22.30; 23.1-28; 24.20).
Aplicando a Teologia
Atos 13.10 descreve que o diabo é o inimigo de toda justiça. Cristo foi condenado injustamente, mas um dia virá julgar o mundo de maneira justa (At. 17.31; Ap. 19.11). É através da perfeita justiça de Cristo que receberemos a vida eterna (Rm. 5.18,21).
Precisamos ser justos em todas as atitudes que tivermos. Jamais devemos levantar um falso testemunho (Ex. 20.16). Jesus usa o princípio de usar testemunhas na tentativa de ganhar alguém que se encontra em erro (Mt. 18.16) e Paulo também aplica isto quando trata de como proceder com as acusações contra os presbíteros (1Tm. 5.19). Ser testemunha vai além dos tribunais.
Testemunhar deve ser uma prática fiel e verdadeira na vida dos seguidores de Jesus. É preciso testemunhar de Cristo, e isso só é possível quando conhecemos e praticamos seus feitos. É impossível conhecê-lo sem visitar as Escrituras.
Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim
João 5.39 (ARA)
A palavra “justiça” aparece mais de 386x na Bíblia. Isso mostra o quanto esse tema é importante. Deus estabeleceu um modelo jurídico nos tempos de Moisés (Nm 11.16-17) que os homens deturparam por seus interesses pessoais, como vemos no caso do sinédrio do Novo Testamento. Quando tiramos os olhos da justiça de Deus, que se revela no evangelho (Rm. 1.17), iremos cometer o pecado de julgar o outro como se fôssemos o próprio Deus (Rm. 2.1; Tg. 4.11-12).
Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados.
1Pedro 2.21–24 (ARA)
Bibliografia
- Série Logos, vol. 8. Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. CPB, 2016.
- Antiguidades, XII.3.3.
- Antiguidades, XIV.5.4.
- Guerra dos Judeus, I.8.5.
- Antiguidades, XIV.9.3-5.
- Guerra dos Judeus, I.10.7
- Guerra dos Judeus, XIV.9.4
- Guerra dos Judeus, v.4.2
- Jacob Reifmann, Sinédrio, Berdychev, 1888;
- Jewish Encyclopedia, 1906.
No caso Jerusalém na época bíblica podia ser considerado um país, e dentro desse país existia as cidades como samaria, galileia , Decápolis e entre outras. Apesar que Decápolis era uma região com 10 cidades não é?
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Samaria, Galileia, Judeia, Decápolis, etc, eram regiões que agregavam cidades. Na Judeia ficavam as cidades de Jerusalém, Belém, entre outras. Na região da Galieia ficavam: Nazaré, Cafarnaum, Caná, etc. E por ai vai…
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Nos tempos de Jesus, Israel não era legalmente um país, e sim um território do império chamado de Palestina. Era uma região muito difícil de ser governada, e os judeus tinham essa autonomia que você leu no artigo. Para eles, Jerusalém ainda era uma cidade muito importante e considerada capital, mas, legalmente era apenas mais uma cidade do império romano.
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