Seitas do Judaísmo: Essênios

De todas as seitas do judaísmo, os essênios são os mais reservados e talvez misteriosos. Um grupo que vivia uma vida no deserto, isolada da sociedade e buscava com uma vida pura de profunda devoção, abstinência material e rigoroso estudo da Lei.

Origem

A origem do grupo é geralmente datada no período do segundo templo (2 século a.C.). A Enciclopédia Judaica de 1906 os descreve como sendo originários dos Fariseus.

A origem dos Fariseus e Essênios parece ter sido a mesma, e a tradição judaíca nos lança uma luz sobre isto, pois, em sua origem, o grupo possuía algumas práticas diferenciadas:

  • (1) Só tinha relações sexuais as quarta-feiras, para que não tivesse o risco de seu filho nascer no sábado;
  • (2) Meditavam silenciosamente por uma hora antes de oferecer suas orações matinais;
  • (3) Tinham completa aversão pelo pecado;
  • (4) Não assinavam documentos e nem faziam juramentos;
  • (5) Nem uma guerra ou até mesmo se tivesse uma serpente pronta a picá-los os faziam interromper suas orações;
  • (6) Procuravam observar toda a Lei.

Aparentemente um grupo se tornou tão propenso a uma vida de santidade, que se isolaram da sociedade buscando ter ainda mais purificação, a estes se originou os Essênios e o outro grupo se tornaram os que conhecemos por Fariseus.

Quem eram

Os Essênios estão envolvidos diretamente com os Manuscritos do Mar Morto, um dos achados arqueológicos mais importantes da história do cristianismo que foi descoberto em 1947 em uma caverna de Qumran, região onde esse grupo vivia.

Eles acreditavam que a vinda do Messias era eminente e o fim do mundo também. viviam em total desapego de uma vida na sociedade para não serem contaminados com as coisas mundanas. Sobreviviam de artesanatos, cultivo do próprio alimento e compartilhavam tudo que tinham uns com os outros. Praticavam a caridade, respeito mútuo e estudavam rigorosamente a Lei em diversos aspectos, principalmente no tocante a purificação através da água. Tinham grande interesse por literatura apocalíptica e cuidavam com muito zelo dos escritos que possuíam.

Eles dedicavam boa parte do seu tempo para devoção. Não era comum vê-los negociando, comprando ou vendendo nas cidades. Acredita-se que eles era uma comunidade com cerca de 4 mil pessoas.

Havia um membro que os liderava. Este organizava a divisão, tarefas e se encarregava de realizar algum contato externo caso fosse necessário.

O aspirante que desejasse fazer parte da comunidade deveria passar por uma rígida avaliação que durava cerca de 2 anos, até que finalmente poderia ser parte do grupo e ter acesso a todas as tradições, comer no salão principal com os membros permanentes e receber uma função de trabalho.

Muitos autores antigos, como Flávio Josefo e Filo de Alexandria, relatam que os essênios eram admirados pelas autoridades civis por seu temor e estilo de vida, citando ainda que acreditavam que eles tinham poderes milagrosos e possuíam o dom de profetizar sobre eventos políticos futuros.

O grupo foi exterminado no ano 68 d.C. pelo exército romano que avançava pela Judéia e por fim destruiu Jerusalém em 70 d.C.

NCCG.ORG Dead Sea Scrolls, Qumran, Essenes
Assentamento dos Essênios em Qumran

Crenças

AssuntoCrença
Vida em sociedadeEra necessário se isolar no deserto, para evitar a contaminação com os desejos do mundo.
Casamento e filhosAbstinência total.
Vida sexualAbstinência total.
SábadoObservância rígida. Dedicando o dia para estudo rigoroso da Lei.
MessiasViriam em breve e deveriam estar preparados.
RessurreiçãoAcreditavam.
EscravidãoCondenavam.
JuramentoAbstinência. Se recusavam a jurar.
PossesProduziam apenas o que era necessário para suas necessidades.
Lei (Torá)Rígida observância.
Escritos dos ProfetasEstudo profundo e crença.
Poder medicinal das plantasAcreditavam.

Menções na Bíblia

Essa seita não é diretamente mencionada na Bíblia, entretanto, é possível que, ao escrever aos crentes de Colossos, Paulo estivesse falando deles em Colossenses 2.8-23.

Alguns sugerem que João Batista fosse um essênio, pois sua vida no deserto, sua forma de se vestir, zelo pela purificação através da água (batismo), mensagem messiânica e sem descrição que havia esposa e filhos dão sustento ao argumento, embora não haja nenhuma menção direta a isto.

Aplicando a Teologia

Os cristãos tem muito a aprender com algumas práticas essênicas, dentre elas encontramos o espírito que movia os primeiros cristãos:

E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. 43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. 44 Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. 45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. 46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, 47 louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Atos 2.42-47 ARA
  1. Devemos ter perseverança – Os essênios eram perseverantes naquilo que professavam, não vacilavam facilmente e mantinham uma fé sólida.
  2. Vida em comunidade – Ela vivam verdadeiramente uma vida onde todos eles estavam unidos. Não era permitido haver nenhum sentimento de raiva, ódio, paixões ou qualquer coisa que os levasse a pecar. Devemos ter esse sentimento de união também.
  3. Abnegação dos prazeres da carne – Paulo em 1 e 2 Timóteo , Tito, Romanos e Hebreus ensina que aquele que nasce em Cristo abnega os prazeres da carne. O essênios tinham essa preocupação em extremo, o que levaram para o isolamento no deserto, mas, nós devemos lembra que estamos no mundo, mas não somos do mundo. Temos no mundo uma obra a fazer.

Bibliografia
  • Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, CPB, 2016.
  • Jewish Encyclopedia, 1906 edition.
  • C. D. Ginsburg, The Essenes, Their History and Their Doctrines, London, 1864 (with summary of previous literature);
  • idem, in Kitto’s Dict. of the Bible, and in Smith-Wace, Dictionary of Christian Antiquities;
  • Hilgenfeld, Ketzergesch. des Urchristenthums, 1884, pp. 87-149;
  • F. C. Conybeare, in Hastings, Dict. Bible;
  • Philo, De Vita Contemplativa, ed. Conybeare, Oxford, 1895.

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