Seitas do Judaísmo: Escribas

Esdras; um tio de Davi; o responsável por ler o rolo da Lei encontrado na reforma do Templo para o rei Josias; o escritor das profecias de Jeremias. O que esses homens tinham em comum? Todos eram escribas. O que faziam? Qual era o tamanho de sua influência e por que no Novo Testamento eles contendiam com Jesus?

Diferentes funções

Diferentemente dos saduceus e fariseus, os escribas não surgiram como um grupo político. Desde os tempos antigos eles desempenhavam diferentes tarefas, tais como: escrivães, diplomatas, cronistas, entre outras que veremos mais adiante.

Podemos encontrar pelo menos 3 funções específicas que os escribas desempenhavam. Nos tópicos seguintes discorreremos com mais detalhes sobre cada função e ampliaremos os tópicos com exemplos bíblicos.

  • Secretário profissional – Homens que ficavam nas ruas e nas praças, trabalhavam redigindo cartas e outros documentos em troca de pagamento. Ainda é possível encontrá-los no Oriente Médio.
  • Oficial do governo – Servia como ministro de estado ou desempenhava outras funções importantes dentro do governo. Era um cargo político e de grande apreço.
  • Copista da Lei e das Escrituras – Eles ensinavam e interpretavam as Escrituras. No Novo Testamento vemos que eles participavam do corpo de membros Sinédrio e geralmente eram fariseus. Também eram chamados de “Mestres de Lei”.

Escribas no Judaísmo

No Judaísmo, os escribas eram aqueles que ensinavam e interpretavam a Lei. Além de copiarem os Escritos e difundir seus ensinos. Eles deram origem ao que conhecemos como rabinos. Os escribas eram homens intelectuais, uma vez que a arte da escrita não era comum a todo o povo. Eram eles que classificavam as leis da Torá e as contavam, por exemplo.

Os escribas foram os fundadores das escolas, nas quais os jovens judeus eram educados até se tornarem “Mestres da Lei”. Paulo foi educado em uma dessas escolas, e tinha Gamaliel como seu professor.

Por serem homens intelectuais, os escribas tinham participação no corpo de membros do Sinédrio. Representavam geralmente a classe dos fariseus.

A origem dessa atividade pode ser encontrada em Neemias:

Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia.

Neemias 8.8 (ARA)

Após o retorno do cativeiro babilônico, houve uma grande preocupação com o ensino da Lei, para que o povo se voltasse a observar a Torá. Os escribas se encarregavam dessa função.

Menções na Bíblia

No Antigo Testamento

No hebraico, a palavra para “escribas” é סֹפְרִים (sopherim). Nesta forma (plural) ela aparece apenas 1 vez. Já no singular, a palavra hebraica é סֹפֵר (shopher) que é traduzida como: cronista, escrivão, escriba e secretário.

Em 1Crônicas 2:55 é mencionado um grupo de famílias de escribas que habitavam em Jabez. Neste mesmo livro, no capítulo 27.32, diz que Davi tinha um tio cujo nome era Jônatas, descrito como um: “homem sábio e escriba.”

Já o profeta Jeremias registra uma dura acusação de Deus a Judá que diz:

Como, pois, dizeis: Somos sábios, e a lei do Senhor está conosco? Pois, com efeito, a falsa pena dos escribas a converteu em mentira.

Jeremias 8.8 (ARA)

No contexto do verso citado acima, Deus declara a Jeremias que Judá foi rejeitado por sua apostasia, e consequentemente foram levados cativos. A corrupção era tamanha. Mediante esse texto, notamos que os escribas naquele tempo já desempenhavam a função de copiar a lei do Senhor.

Esdras foi descrito como “escriba versado na lei de Moisés.” (Esdras 7:6). Outras passagens confirmam esse título: (Esdras 7.11; Ne. 8.1,4,9; 12.36). Neemias 12.26 acrescenta que além de escriba, Esdras era sacerdote.

O profeta Jeremias foi açoitado e preso na casa de um escrivão chamado Jônatas (Jr. 37.15). Esse mesmo profeta contratou o escrivão Baruque e ditou a ele as profecias que recebeu do Senhor (Jr. 36.27,32; 41.1).

Além disso, vemos em 2Reis 12.10 que o escrivão contava o dinheiro que se achava no Templo. E constantemente os reis enviavam escribas e cronistas como mensageiros (2Rs. 18.37; 19.2).

Quando o sumo sacerdote Hilquias achou o rolo no Templo, durante a reforma promovida pelo rei Josias, ele entregou o rolo a Safã, o escrivão, que posteriormente leu as palavras escritas no rolo para Josias (2Cr. 34.15, 18).

Também vemos que o escrivão desempenhava a função de alistar o povo para o exército (2Rs. 25.19).

No tempo de Ester, vemos que foram secretários que escreveram o decreto do rei Xerxes, que autorizava a morte de todos os judeus (Ester 3.12). Eles também foram o responsáveis por escrever o decreto que autorizava os judeus a resistir, mediante as ordens de Mordecai (Ester 8.9).

No Novo Testamento

A palavra usada para os escribas no NT é γραμματεύς (grammateus), que deriva de γραφω (grapho) que significa “escrever”. Essa palavra é registrada 64 vezes, aparecendo apenas 1 vezes na forma de “escrivão da cidade” em Atos 19.35.

Contextualmente, os escribas mencionados nos evangelhos eram fariseus, que desempanavam o papel de copistas e intérpretes das Escrituras. Esses homens também eram chamados de “Mestres da Lei”, eram fariseus (Mc. 2.16) em sua maioria e exerciam grande influência no Sinédrio (Mc. 15.1).

Herodes convocou os escribas para saber onde o Messias nasceria (Mt. 2.4).

Os escribas ensinavam, mas não tinham autoridade. Isso ficou evidenciado quando Cristo passou a ensinar publicamente (Mt. 7.29; Mc. 1.22; Lc. 4.32).

Os escribas acusaram Jesus de blasfêmia (Mt. 9.3) e foram responsáveis por condena-lo a morte (Mt. 20.18; 26.57-59).

Jesus chamou os escribas e fariseus de hipócritas repetidas vezes em Mateus 23.

Em diversas passagens pode ser observado que os escribas procuravam conduzir Jesus a contradição (Lc. 10.25). Por serem fariseus, mas, possuindo a função de ensinar, copiar e interpretar a Lei, eles possuíam grande influência entre o povo, como era o caso de Gamaliel (At. 5.34). Eles procuravam adaptar a lei de Moisés em seu contexto e época, e seus ensinos eram considerados de igual valor.

Aplicando a Teologia

Os escribas conheciam muito bem as Escrituras, afinal, eles copiavam, ensinava e interpretavam a Lei para o povo.

Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

Mateus 7.28-29 (ARA)

Os escribas tinham conhecimento, mas não viviam conforme aquilo que ensinavam. Por essa razão, Jesus os chamou de hipócritas 7 vezes em um duro discurso registrado em Mateus 23.

O que fazemos com o conhecimento que temos das Escrituras? Vivemos ele na prática ou estamos apenas emolduramos em adesivos e placas de porta?

Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. 

Tiago 1.22 (ARA)

Bibliografia
  1. Jewish Encyclopedia, 1906.
  2. Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. Série Logos, vol. 8.
  3. Hamburger, RBT II., Sv Sopherim.

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