Sem dúvida os fariseus fazem parte do grupo mais lembrando nos embates que tiveram com Jesus e seus discípulos. São mencionados 86x no Novo Testamento, sendo a seita judaica que mais aparece nos evangelhos (80x) e no livro de Atos (6x).
Origem do nome
Vem do grego Farisaioi que é uma transliteração do hebraico Perushim (“os separados”).
Surgimento
É difícil afirmar com precisão a origem desse grupo. Josefo os menciona com ligação ao período dos macabeus (200 a.C.), sendo sucessores dos Hasidim (“os piedosos”) que apoiaram os macabeus na guerra contra os selêucidas.
Crenças e funções na sociedade
Ao contrário dos saduceus, eles eram contra qualquer influência helenista (tentativa de introduzir a cultura grega) no povo judeu. Eram considerados a ala conservadora e ortodoxa do judaísmo. Eles se consideravam os representantes de ensinar a separação das tendências mundanas.
Como partido político, eles fizeram forte oposição ao governo de João Hircano (135-104 a.C.) e posteriormente com maior força ao de Alexandre Janeu (103-75 a.C.). A partir daí conseguiram, portanto, exercer grande influência sobre o povo, mesmo que por volta de 60 a.C. o partido tivesse cerca de 6 mil membros. Eles também tinham parte ativa no sinédrio, concedida por influência da rainha Salomé Alexandra (139 a.C. – 67 a.C.).
Os fariseus procuravam evitar política, pois não tinham interesse em questões seculares e/ou mundanas, exceto quando tinham que manter uma posição política para separar a religião e o estado. Eram fortes opositores do domínio romano e seus pensamentos estavam firmados na vida futura.
De todos os grupos judaicos, os fariseus eram os que mais exerciam influência religiosa na nação. Eles eram estritamente legalistas, procurando aplicar a “Lei de Moisés” nos mínimos detalhes e acreditavam na justificação pelas obras, sem considerar a condição do coração, criando assim uma lista de rigorosas regras, conhecidas como “tradição dos anciãos” (Mt. 15.2).
Fariseus versus Saduceus
| Fariseus | Saduceus |
|---|---|
| Conservadores e ortodoxos. | Liberais e progressistas. |
| Acreditavam na providência divina e na dependência de Deus. | Rejeitavam a influência divina em questões humanas (cada homem é o seu próprio juiz). |
| Deus como um “Pai rígido”. | Deus como alguém que não se interessa muito pela vida humana. |
| Classe média e influência popular. | Classe alta e influência aristocrática. |
| Maioria dos escribas. | Sumo sacerdote e maioria dos sacerdotes. |
| Membros do sinédrio. | Membros do sinédrio. |
| Esperança na vida futura. | Não criam em vida eterna. |
| Interesses mais religiosos. | Interesses mais seculares. |
| Prezavam as sinagogas | Prezavam o Templo |
| Evitavam política. | Apoiavam a política. |
| Separação de sacerdócio e política. | União política com o sacerdócio. |
| Resistiam passivamente aos romanos. | Apoiavam a Roma. |
| Aceitavam outros livros do AT além do Pentateuco. | Aceitavam apenas o Pentateuco. |
| Aceitavam a tradição oral. | Rejeitavam a tradição oral. |
| Imortalidade da alma. | Mortalidade da alma. |
| Acreditavam na existência de espíritos, juízo futuro, ressurreição literal do corpo. | Rejeitavam tudo isto. |
Os fariseus no Novo Testamento
Diante das muitas menções (86x), selecionamos as principais:
- João Batista os chama de “raça de víboras” (Mt. 3.7);
- Eles acusaram a Jesus de expulsar demônios pelo poder de Belzebu (Mt. 9.34; 10.25; 12.24-24; Mc. 3.22; Lc. 11.14-15);
- Procuraram tirar a vida de Jesus (Mt. 12.2) e se uniram aos herodianos para tentar executar o plano (Mc. 3.6);
- Jesus advertiu os seus discípulos contra fermento (doutrina) deles e dos saduceus (Mt. 16.6-12);
- Jesus os chamou de hipócritas várias vezes. (Mt. 23.2,13,14,15,23,25,27,29; Lc. 12.1);
- Eles levam a mulher adúltera até Jesus (Jo. 8.3);
- Nicodemos (Jo. 3.1); Paulo (At. 23.6) e o seu professor Gamaliel (At. 5.34) eram fariseus.
Aplicando a Teologia
Segundo a Enciclopédia Judaica (1906): “Nada poderia ter sido mais repugnante para o genuíno fariseu do que hipocrisia.” Não é de se estranhar que Jesus os chama de hipócritas diversas vezes em Mateus 23.
Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem. Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los. Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas. Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens.
Mateus 23.3-7 (ARA)
Em Lucas 18.10-14 Jesus ilustra muito bem a condição do coração dos fariseus na parábola do fariseu e publicano, onde o justificado foi aquele que se humilhou. Os fariseus eram hipócritas por pregar algo que não viviam, procuravam ser reconhecidos pelos homens como pessoas boas, que davam o dízimo, faziam caridade, jejuavam e oravam com frequência, não roubavam, não adulteravam, etc. De fato, Cristo disse que deveríamos fazer tudo isso, mas com o propósito correto, pois:
Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.
Mateus 23.12 (ARA)
Como estamos vivendo? Praticando boas obras com a intenção de sermos vistos e talvez apenas para tirar o peso de nossa consciência? Ou com um coração humilde e recebendo a graça de Cristo para transformar-nos verdadeiramente? Podemos ser como Nicodemos, que entendeu que os fardos criados pelos homens não é a verdadeira prática e essência da lei, e foi isto que Cristo veio ensinar e corrigir. Ou ainda como Paulo, um fariseu que reconheceu seu estado depravado e suas errôneas crenças.
Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia.
1Timóteo 1.5 (ARA)
Bibliografia
- Jewish Encyclopedia, 1906 edition.
- Dicionário Bíblico Adventista, Série Logos (vol. 8), CPB, 2016.
- Antiguidades, XVIII.1.3
- Baeck, L. “The Pharisees”. The Pharisees and Other Essays. New York: Schocken Books, 1966
- Baumgarten, A.I. The Flouring of Jewish Sects in the Maccabean Era: An Interpretation. Suplemento de the Journal for the Study of Judaism 55. Leiden: Brill, 1997.
- Johnson, B. (2014). Fariseos. In J. D. Barry & L. Wentz (Orgs.), Diccionario Bíblico Lexham. Bellingham, WA: Lexham Press.

um texto mais fera que o outro, parabéns meu amigo! que Deus continue te usando!!
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